Sou Andrea, 51 anos, mãe de duas lindas e muito amadas filhas, cidadãs do mundo e casada com um marido nota 1000!
Viemos para o Brasil em 2010, com nossas canadenses a tiracolo para uma experiencia de 5 anos, que se prolongou até hoje. Mas isto não tirou e nunca vai tirar meu amor por Vancouver, pelo Canadá.
Quando vim para o Brasil, resolvi manter meu trabalho de agente de escola de Inglês, atuando por indicações de alunos, atendendo em casa, enfim, um trabalho mais pessoal, mais intimista. Recebia os estudantes e suas mães em minha casa, com bolinhos e chás, até o momento que nos mudamos para São Paulo.
Minha filha mais velha, hoje com 20 anos, voltou para o Canadá com 15, fez High School por lá e hoje está no 2o ano da UofT -University of Toronto e minha caçula, com 13 anos, já planeja sua ida ao terminar o ensino fundamental II, o antigo 1o grau.
Este meu amor enorme pelo Canadá, minhas filhas voltando para lá, me deixam na maior tranquilidade para dizer que estou preparada para ajudar estudantes a concretizarem seus sonhos de irem estudar ou passar férias no Canadá, a entender todo o processo familiar, do coração apertado das mães, dos pais que parecem durões mas sofrem internamente com a distância, mas que ao mesmo tempo vibram com esta oportunidade que a vida dá, de se tornarem melhores cidadãos, melhores seres humanos, olharem para fora do próprio umbigo.
Esta sou eu, uma Canadense/Brasileira, que quer ajuda-los a concretizar um sonho que parece impossível, mas não é.
Vamos juntos planejar esta experiência linda que é estudar fora, conhecer novas culturas, fazer novas amizades, mas nunca deixando de ser quem somos, nunca deixando de fazer parte das nossas famílias.
Sei que muitos de vocês devem ter lido este título e não entendido nada. Então, antes de começarem a ler este texto, devo primeiramente esclarecer que nos quase 5 anos que morei em Vancouver nunca presenciei nenhum terremoto. Não podemos sofrer por antecipação, por algo que nem sabemos se realmente vai acontecer, não é mesmo? Ocorrem terremotos que nem chegamos a sentir. Deixo aqui um link de uma página do governo Canadense, caso eventualmente queiram saber mais sobre terremotos no Canadá.
http://earthquakescanada.nrcan.gc.ca/
Quando morava no Canadá, minha filha, com apenas 7 anos, ingressou na escola e trouxe para casa a lista de material para o ano letivo. Para minha surpresa, além do material escolar, estava escrito Earthquake kit (Kit Terremoto). Embora soubesse inglês, este kit era uma novidade para mim, portanto resolvi me aprofundar no assunto, pesquisando no Google e posteriormente confirmando com a professora as informações recebidas. Deveria comprar um Ziploc, um plástico gigante, onde colocaria os itens sugeridos, conforme a lista baixo, para em caso de terremoto, ser entregue a criança enquanto aguarda a chegada dos pais.
Nem preciso dizer como me senti com aquela informação toda que acabava de cair inesperadamente no meu colo. Como assim???? Fiquei angustiada achando que ia acontecer um terremoto no dia seguinte, embora soubesse que as chances eram remotas e como disse anteriormente, nos 5 anos que estive lá nunca senti nenhum tremor, só alarmes de incêndio. Que será um próximo tópico aqui no blog.
Então, com Ziploc nas mãos, aos poucos fui adicionando:
Uma muda de roupa, incluindo luvas e gorro
1 garrafa de água
Comida não perecível, como um pacote pequeno de cereal, bolachinhas, barra de chocolate, ou seja, coisas que minha filha gostava)
1 álcool gel pequeno
1 lanterna e baterias extras
1 pacote de lenços umedecidos
1 caixa pequena lenços de papel
1 foto da família
1 bloco de papel
1 caixa de lápis de cor
1 baralho, 1 UNO ( ou outro joguinho, algo que ela pudesse se distrair)
1 cobertor
e afinal, a famosa Comfort letter
Não sei dizer quantos dias levei para fazer a Comfort letter. Sempre que iniciava, começava a chorar, imaginando minha filha numa situação de emergência como essa, extremamente nova e assustadora para nós todos, enfim, foi angustiante escrevê-la.
Não tinha como não pensar na possibilidade dela ficar nos esperando e nunca aparecermos. Não tínhamos família no Canadá, afinal tanto a minha quanto a do meu marido, moravam no Rio Grande do Sul. Éramos só nós e mais ninguém.
Claro que fizemos amizades, mas tudo isso aconteceu já na 1ª semana de aula, quando não fazia nem 15 dias que tínhamos chegado.
Sei que muitos ficaram curiosos, então deixo aqui a carta escrita em janeiro de 2007. Parece simples e curta, mas foi muito doída de escrever.
Dear Rafaela,
We are glad you have this bag of special things. While you wait, try to be cheerful and cooperative. We are thinking of you and we are doing everything we can to join you. We love you and hope we are all together soon.
Love,
Mom and Dad.
Remember to listen to your teachers and follow their instructions.
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Minha amada Rafaela,
Espero que goste das coisinhas que colocamos na tua sacolinha. Coloquei umas cartas novas para poderes te distrair. Coloquei também um cobertor de emergência, umas fotos, band-aids, lencinhos e um joguinho novo. Assim, poderás te distrair enquanto não chegamos.
Sei que é uma experiencia nova, mas enquanto tu nos espera, tenta ficar calma. Nós estamos pensando em ti e estamos fazendo o possível para te buscar o mais rápido possível. Saibas que te amamos muito e que não vemos a hora de estarmos todos juntos novamente.